Há 33 anos….

Em 30.11.1974 falecia minha bisavó Catharina Bail, esposa de Rodolfo Giese, com quem teve quatro filhos, sendo dois ainda vivos. Foi sepultada no Cemitério Municipal de São Bento, no mesmo túmulo de seu pai Benedito e de seu esposo.

Publicado em:  on 30/11/2007 at 11:42 AM Deixe um comentário

20. Karl Giese

Meu trisavô Karl Giese nasceu provavelmente na região de Regenwald, na antiga Pomerânia, que na época fazia parte da Alemanha e que atualmente está no território da Polônia. Na Pomerânia, quase todos os moradores eram protestantes, e também essa foi a religião de Karl. Seu nascimento se de em 30.05.1859. Com 13 anos, seus pais Johann Karl Giese e Emilie Wegner decidiram imigrar para o Brasil. E assim foi feito. No final de 1872 Karl chegou com a família a porto do Navio Henry Knight ao porto de São Francisco do Sul. Vieram para Colônia de Joinville, uma vez que São Bento ainda não existia.
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Karl Giese deve ter subido a serra mais tarde. Mas encontramos uma informação interessante no seu registro de casamento, e ainda não conseguimos descobrir sua razão de ser. Nele, o padre afirma que Karl era morador de São Paulo. Esse casamento aconteceu na Igreja Protestante de São Bento do Sul no dia 25.10.1891. A noiva era Ida Bertha Labenz, natural da Prússia.
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Karl faleceu no dia 24.06.1924 e foi sepultado no Cemitério Municipal de São Bento do Sul, no lado protestante – como costumava-se dividí-lo na época.
Publicado em:  on 17/11/2007 at 5:01 PM Deixe um comentário

Há 159 anos…

No dia 16.11.1848 foi batizada na cidade da Lapa minha tetravó Flora Lina Cavalheiro. Ela casou-se com Felippe Soares Fragoso, e faleceu antes de 1883, ano em que seu marido se casou pela segunda vez. Também esteve na região de São Bento.
Publicado em:  on 16/11/2007 at 1:16 PM Deixe um comentário

19. Amalia Preussler (1853-1893)

Minha trisavó Amalia Preussler nasceu em Grafendorf no dia 12.10.1853 e foi batizada em Johannesberg, na província de Reichenberg, norte da Boêmia. Era filha de Bernardo Preussler e Anna Jaeger.
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Veio ao Brasil em 1876 a bordo do Vapor Vandalia. Na lista de passageiros, ele aparece como “criada”. No mesmo navio, viajava Johann Rössler, natural de uma aldeia próxima. A convivência de um mês em alto mar foi suficiente para que os dois passassem a se interessar um pelo outro. Johann era quase 7 anos mais novo, mas isso pouco importava. Ele havia imigrado sozinho para o Brasil, e Amalia também não veio com os pais, de modo que os dois puderam buscar apoio um ao outro durante a travessia que mudaria as suas vidas. Chegando ao Brasil, os dois passaram a constituir família.

Tiveram cinco filhos: Otto Roesler, casado com Maria Treml, e pais de tradicional prole; Raymundo Roesler, casado com Bertha Zeeman, os quais depois se mudaram para Imbituva/PR; Emma Roesler, casada com João Treml, da tradicional Banda Treml; Anna Roesler, casada com Frederico Fendrich Filho, com grande descendência; e Maria Roesler, casada com Aloís Kollross.

Amalia faleceu precocemente em 23.09.1893 e foi sepultada no Cemitério Municipal, no mesmo túmulo em que repousa seu esposo.
Publicado em:  on 15/11/2007 at 3:02 PM Deixe um comentário

18. Johann Rössler (1860-1905)

Assinatura de Johann Rössler em seu segundo casamento
Meu trisavô Johann Rössler (ou João Roesler, aqui no Brasil) nasceu na comarca de Reichnau, província de Gablonz, no norte da Boêmia, em 14.04.1860. Abaixo está a transcrição de seu batismo. Uma cópia do original me foi passada por Marcelo Roesler. A letra do padre não é nada fácil de se entender, como se vê, mas Brigitte Brandenburg, da SC-Gen, e Franz Mühlbauer, da Alemanha, em muito ajudaram, de modo que agora já é possível saber o que esse registro diz. E diz muita coisa! Um registro do batismo que informa inclusive dois bisavós da criança!

Vater
Franz Rössler, Bauer und Fuhrmann in Reichnau 11, geboren in Reichnau N. 12, ehel. Sohn des + Franz Rössler, Bauers und Fuhrmanns N. 11, in Reichnau, und der + Klara, geb. Augustin Preissler, Mahlmüllers Tochter N. 1 aus Reichnau.

Mutter
Antonia Lang, geboren in Pelkowitz, N. 40, ehel. Tochter des Josef Lang, Bauers und Fuhrmanns N.40 in Pelkowitz, und der Barbara, geb: Josef Wawrich, Bauers Tochter N.40 aus Pelkowitz, Amtbezirk Böhmisch Aicha.

TRADUÇÃO

Pai

Franz Rössler, agricultor e carreteiro em Reichenau N11, nascido em Reichenau N.12., filho legítimo do falecido Franz Rössler, agric. e carreteiro N.11., em Reichenau, e da falecida Klara nasc. Augustin Preissler, filha de dono de um moinho de (?) de Reichenau.

Mãe

Antonia Lang, nascida em Pekowitz, N.40, filha legítima de Josef Lang, agric. e carreteiro N.40 em Pelkowitz, e de Barbara nasc. Josef Wawrich, filha de Agricultor N.40 de Pelkowitz, região administrativa da Böhmischer (de Bohemia) ….?

Johann Rössler imigrou para o Brasil com apenas 16 anos. Tinha como responsável na viagem Franz Rohrbacher, que havia sido incumbido para trazer novos imigrantes à região de São Bento do Sul. Veio a bordo do Vapor Vandalia, que saiu de Hamburgo em 20.06.1876 e chegou em São Francisco do Sul em 20.07.1876.

Era tido como homem bonito e elegante, andando sempre bem vestido. Várias vezes se candidatou a Conselheiro Municipal (o que equivalia ao cargo de vereador), mas, contudo, não conseguiu a eleição. Naturalizou-se brasileiro em 1884.

Oficializou sua união com Amália Preussler, filha de Bernardo Preussler e Anna Jaeger, em 21.03.1882, perante o padre Carlos Boegershausen e as testemunhas Antônio Swarowky e José Weiss.

Já viúvo, casou-se novamente em janeiro de 1894 com a também viúva Francisca Mühlbauer, viúva de Anton Augustin, com quem teve quatro filhos, além dos cinco que teve com Amália: João Roesler, casado com Rosália Pscheidt; Júlia Roesler, casada com Frederico Rückl; Bertha Roesler, solteira, e Emília Roesler, casada com Carlos Müller. Eis como nos conta o padre:

“… às 9 horas da manhã na Capella do Smo. Coração de Maria deste município de S. Bento, feitos os três banhos canonicos sem impedimento algum e com palavras de presente e de mutuo consentimento perante mim e as testemunhas José Raschel e Jacob Liebl, receberão-se em matrimonio João Rössler e Francisca Mühlbauer, elle viuvo por obito de sua mulher Amalia Preissler, e filho legitimo de Francisco Rössler e de Antonia Lank (sic), nascido e baptisado em Reichnau da Bohemia a 14 d’Abtil de 1860, e ella viuva por obito de seu marido Antonio Augustin, e filha legitima de Miguel Mühlbauer e de Maria Kurtig, nascida e baptisada em Rothenbaum da Bohemia a 24 de Junho de 1867, ambos os contrahentes moradores neste municipio do que para constar fiz este termo que assignei com o contrahente e as testemunhas. O vigário Pe. Carlos Boergershausen.”

Faleceu em São Bento no dia 03.10.1905, vítima da queda de uma árvore de bracatinga, quando faziam a derrubada de uma mata d’algum lote. Está sepultado no Cemitério Municipal de São Bento do Sul no mesmo túmulo de sua esposa Amália, falecida em 1893, e de sua segunda esposa Francisca, que faleceu muitos anos depois.

Publicado em:  on 14/11/2007 at 10:45 PM Comentários (1)

Há 82 anos…

Em 13.11.1925 faleceu meu tetravô Friedrich Labenz, casado com Wilhelmine Witt. Havia imigrado para o Brasil em 1876 e era de Eichstedt, na Prússia. Teve apenas filhas mulheres, de modo que hoje já não existe o sobrenome Labenz na região de São Bento do Sul. Quando morreu, morava na Estrada Bismarck.
Publicado em:  on 13/11/2007 at 12:04 PM Deixe um comentário

17. Catharina Zipperer (1845-1905)

Minha trisavó Catharina Zipperer nasceu na aldeia de Flecken, na Boêmia, no dia 08.07.1845. Era a primogênita de Anton Zipperer e Elisabeth Mischeck, que talvez ainda não fossem casados. Casou-se com Friedrich Fendrich, filho de Franz Fendrich e Maria Magdalena Trnka, o qual morava em Viena. Como Catharina tinha um irmão chamado Josef que chegou a trabalhar em Viena, talvez se deva a isso o fato dela ter conhecido seu futuro esposo. Viena era o grande centro da época.
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Já casada e com um filho, imigrou para o Brasil com a família em 1875. Foram filhos do casal: Hedwiges Fendrich, casada com Aloís Grosskopf; Maria Catharina Fendrich, casada com Jacob Treml; Amália Josefina Fendrich, casada com Aloís Gassner; Frederico Fendrich Filho, casado com Anna Roesler; José Fendrich, casado com Anna Pfeiffer; Francisco Fendrich, casado com Anna Brenner; e Rodolfo Fendrich, solteiro.
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Catharina faleceu em São Bento do Sul no dia 18.12.1905. Está sepultada no Cemitério Municipal de São Bento do Sul, no mesmo túmulo de sua neta Lídia Fendrich e seu neto Luiz Hilgenstieler. Seu esposo Friedrich Fendrich faleceu pouco mais de um mês após a sua morte. Eis o registro de óbito religioso de Catharina:
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“Aos 18 de dezembro de 1905 falleceu no São Bento as cinco horas da tarde Catharina Fendrich, nascida Zipperer com 61 anos de idade nascida na Europa, esposa de Frederico Fendrich, o corpo da defunta foi sepultado no Cemitério da Camara Municipal aos 20 de dezembro de 1905 do que para constar fiz este termo que assigno: P. Henrique Müller.”
Publicado em:  on 12/11/2007 at 12:09 PM Deixe um comentário

Caboclos Abastados

Nas minhas pesquisas sobre “Os Brasileiros de São Bento do Sul”, já é possível perceber que nem sempre eles eram tão caboclos como alguns livros apontam.

O Tenente Coronel Joaquim Pinto de Oliveira Ribas, casado com Maria Theresa dos Santos Lima é citado como um dos “caboclos” que estavam perturbando o sossego da Colônia de São Bento em seus primórdios (FICKER 1973 p. 74).

Isso porque ocupava aquelas terras litigiosas, e assim como os demais brasileiros, não queria deixá-las. Esse “caboclo” teve uma filha chamada Maria Clara de Oliveira, casada na Lapa a 08.01.1870 com Manoel Pedro dos Santos Lima, também nascido na Lapa, no dia 29.06.1843, fº de José Gaspar dos Santos Lima e Anna Mécia de Oliveira, n.p de Manoel dos Santos Pacheco e Maria Coleta da Silva.

Esse Manoel foi ilustre médico e cientista, além de Presidente da Municipalidade da Lapa, e também inspetor escolar e Professor de História Universal, Francês e Latim. Na Lapa há uma escola e uma rua com o seu nome.

Publicado em:  on 11/11/2007 at 3:05 PM Deixe um comentário

15. Rozina Hannusch (1909-1980)

Minha bisavó Rozina Hannusch nasceu em Fragosos no dia 07.01.1909. Casou-se com Luiz Thomé Fragoso, filho de Saturnino Fragoso de Oliveira e Joaquina Fragoso Cavalheiro. O casal teve os seguintes filhos: Cristina Fragoso, casada com Narciso da Silva; Adelina Fragoso, casada com Livarte Cordeiro de Meira, os quais se mudaram para Colombo/PR; Carlos Fragoso, casado com Maria Diva Gonçalves; Bernardo Fragoso, casado com Benedita de Melo, e Otília Fragoso, casada com Luiz da Silva.

Rozina também era de família humilde. Faleceu em Fragosos no dia 16.04.1980, provavelmente de alguma doença relacionada ao pulmão. Costumava, assim como a sogra de sua filha Otília, Francisca da Silva, fumar cigarros de palheiro. Tossia muito em seus últimos dias. Ficou algum tempo mal, de cama. Até que não resistiu mais e faleceu.

Morava numa casa próxia a de sua filha Otília Fragoso, mas quando a doença começou a a atacar, mudou-se para a companhia da filha, que com muito zelo e dedicação cuidou dela até o dia de sua passagem. Ainda houve a tentativa de levá-la a um hospital, mas ela acabou falecendo no caminho. Está sepultada no Cemitério de Fragosos.

Publicado em:  on 09/11/2007 at 12:17 PM Deixe um comentário

14. Luiz Thomé Fragoso

Meu bisavô Luiz Thomé Fragoso nasceu na região de Fragosos, Campo Alegre, por volta de 1910. Casou-se com Rozina Hannusch, filha de Johann Hannusch e Barbara Mühlbauer. Vinha de família tradicional, mas que aos poucos foi perdendo força na região. A família teve que ir se desfazendo de vários terrenos, e hoje seus descendentes são pessoas em geral humildes e sem muitos recursos.
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Luiz Thomé sofria constantemente com alguma espécie enfermidade no intestino, que causaria inclusive hemorragias. Por isso, era sempre necessário tratá-lo com flores ou folhas de tanchagem (que combatem ardor no estômago, entre outros benefícios). Tendo sempre que cuidar dessa doença, Luiz Thomé acabou não resistindo. Por volta de 1960, teve que se deslocar até Curitiba para tratar da doença. Mas não conseguiu a cura , e acabou vindo a falecer.
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Provavelmente foi enterrado como indigente, haja visto a pobreza de meios dos familiares para se deslocar até a capital paranaense.
Publicado em:  on 07/11/2007 at 12:11 PM Deixe um comentário

13. Francisca da Silva (1899-1981)

Minha bisavó Francisca da Silva, dona de um belo par de olhos cinzas, nasceu em 20 de outubro, provavelmente de 1899, em São José dos Pinhais, conforme seu registro de óbito. No entanto, ainda não foi encontrada documentação sua naquela cidade paranaense.
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Foi mãe de três filhos com Antônio Correia Santos: Antônio da Silva, casado com Gertrudes Castilho; Sebastião da Silva, casado com Anita Went, os quais se mudaram para Videira/SC, e Luiz da Silva, casado com Otília Fragoso.
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Em abril de 1980, faleceu a mãe de Otília, casada com seu filho Luiz da Silva. Nessa ocasião, Francisca teria declarado algo como: “Ano que vem é a minha vez”. E de fato. Com uma precisão incrível, Francisca faleceu no dia 20.04.1981, às 15h. Também em sua certidão de óbito, consta que fora domiciliada e residia em Fragosos, Campo Alegre. O declarante foi Edmundo Schwedler, que apresentou atestado firmado pelas testemunhas Iolanda Machado e Laurindo May. A causa da morte foi apontada como “morte natual, sem assistência médica”.
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Como era bastante comum naqueles tempos, gostava de fumar um palheiro. Estava, em seus últimos dias, com uma ferida na testa, que aumentou consideravelmente de tamanho, e que talvez tenha infeccionado. A passagem foi rápida, depois de poucos dias de cama ela viria a falecer. Talvez tenha sido alguma coisa generalizada.
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O sepultamento seguiu para o Cemitério de Fragosos. Lá, seu corpo descansa no mesmo túmulo de seu filho Luiz da Silva, falecido em setembro de 2007.
Publicado em:  on 04/11/2007 at 11:59 AM Deixe um comentário

O Lado Feminino da Imigração – Parte I

Os livros que contam a história de São Bento do Sul são realmente fascinantes, revelando aspectos muito interessantes que nos ajudam a entender melhor a sociedade da época de muitos de nossos antepassados. Mas creio que há vários terrenos ainda pouco explorados – muitos deles jamais explorados. Um desses casos é a participação da mulher na colonização em São Bento, fato sobre o qual jamais se escreveu linha alguma. Começo aqui um artigo que não traz tantas coisas inéditas como eu gostaria, mas sim informações de várias fontes, em geral conhecidas, e que foram reunidas de acordo com o significado do tema em questão. Quem sabe esse não seja um começo para estudos mais aprofundados que melhor caracterizem a participação feminina nos primórdios de São Bento.
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Um dos exemplos mais singulares da participação feminina naqueles rudes tempos no início da colonização em São Bento, nos dá o cronista Josef Zipperer, no seu livro “São Bento no Passado”. Zipperer veio com pais e irmãos ao Brasil a bordo do Navio Zanzibar, chegando em setembro daquele ano. Vieram para escapar das condições precárias de vida que tinham na Europa, sem qualquer esperança de mobilidade social. No Brasil, primeiramente se alojaram no rancho dos imigrantes em Joinville, que já estava lotado. A direção da colônia pretendia criar uma nova colônia para abrigar os novos imigrantes. E foi aí que começou a história de São Bento. Mas até a família conseguir se sustentar no Brasil, tiveram que passar por várias dificuldades.
A mãe de Josef Zipperer, Elisabeth Mischeck, precisou se desdobrar para conseguir mantimentos para sustentar a família em tempos tão difíceis. Aos novos imigrantes chegou a informação de que havia um negociante próximo do porto de São Francisco do Sul que fornecia mantimentos aos recém-chegados ao Brasil, inclusive à prazo. Chamava-se Henrique Jordan. Elisabeth Mischeck tratou então de procurar esse negociante e fazer as compras de que a família tanto necessitava. Só que Jordan não se mostrou muito a fim de novamente vender fiado os seus produtos. Isso porque muitas vezes já havia feito esse tipo de concessão aos imigrantes, mas eles não retornaram mais para acertar as contas – mesmo depois que receberam seus primeiros pagamentos.
As palavras de Elisabeth Mischeck, a matriarca da família Zipperer no Brasil, não foram suficientes para convencer Jordan. Então ela voltou para Joinville a fim de buscar três de seus filhos, os mais velhos. A intenção era mostrar ao negociante que a família tinha rapazes de mãos fortes que poderiam trabalhar e conseguir rapidamente saldar a dívida. Com os novos argumentos de Elisabeth Mischeck, e a presença dos irmãos Josef, Anton e Franz Zipperer, Henrique Jordan se compadeceu e forneceu os mantimentos que necessitavam – carne seca, feijão, farinha de mandioca, tachos e panelas. Tudo isso foi levado até local de trabalho dos rapazes, na estrada Dona Francisca. Em 15 dias, eles receberiam o primeiro pagamento, e logo trataram de saldar a dívida com Jordan. Josef Zipperer se mostra bastante agradecido a esse negociante. “Nunca em minha vida esquecerei o seu nome, nem o que faz por nós”. (ZIPPERER 1954). A boa-vontade de Jordan se deveu em muito à insistência de Elisabeth, que sabia da necessidade de conseguir os mantimentos e não mediu esforços para conseguir aquilo que queria e tanto precisava.
Ela era filha de Thomas Mischeck e Barbara Greil. Seu pai, além de carpinteiro, serviu nos Cavaleiros do Dragão. Elisabeth veio ao mundo no ano de 1822, na aldeia de Gunderwitz, na Boêmia. Casou-se em 1847 com Anton Zipperer, de Flecken, e imigrou com a família para o Brasil em 1873. O livro de Josef Blau, “Bayern in Brasilien”, escrito com subsídios passados ao autor por filhos de Josef Zipperer, também exalta atitudes de Elisabeth, chamando-o de charmosa e simpática.
Quando trata da misteriosa doença que teve Josef Zipperer, o livro de Blau afirma que o pai Anton Zipperer seguiu com o filho até uma cidade da Bavária, a fim de conseguir o tratamento adequado com um médico tradicional. Foi feita uma sangria, e recomendando que voltasse em quatro semanas. Passado essa semana, quem levou o filho até o médico, percorrendo longa distância, foi exatamente Elisabeth Mischeck, a popular “Frau Liesl”, tida como mulher bem disposta e corajosa. Consta também que Elisabeth permaneceu inabalável na decisão de emigrar para o Brasil, num momento em que seu marido ainda hesitou. Mas por fim, convenceu-se de que aquilo era o melhor que podiam fazer, e vieram parar em São Bento.
Mãe zelosa, Elisabeth ainda sofreria a perda do filho Franz Zipperer, em fevereiro de 1874, quando ele contava com 18 anos. A família ainda morava no Rancho dos Imigrantes, que ficava aonde hoje está a Praça Getúlio Vargas. Franz contraiu uma forte febre, e “baldados foram os cuidados a ele dispensados, com tanto carinho, pela mãe e por todos nós, com os poucos recursos de que dispúnhamos.” (ZIPPERER, 1954). Foi um baque e tanto para a família que estava no Brasil há apenas alguns meses.
Elisabeth também exerceu a função de “cupido”, juntando um casal que teve grande e tradicional descendência na cidade. Ela chamou seu filho Josef Zipperer, que já contava com 30 anos, e o aconselhou a procurar casamento, aproveitando que a situação da família já havia mais ou menos se estabilizado em São Bento naquele ano de 1877. Josef alertou que não era tão fácil achar uma noiva naquela região. Mas Elisabeth já tinha a sua escolhida. Era uma empregada de Heinrich Reusing, que lhe parecia uma moça muito boa e trabalhadora. Essa moça era Anna Maria Pscheidt, filha de Wenzel Pscheidt, falecido pouco tempo depois de imigrar, e Anna Maria Aschenbrenner, falecida quando a filha era pequena, ainda na Europa. Josef prometeu pensar.
Passado esse tempo de reflexão, convenceu-se dos conselhos da mãe. Pediu a mão de Anna Maria Pscheidt, e com ela se casou em 18.04.1877. A sugestão de Elisabeth parece ter sido muito boa para o casal, pois dele nasceria grande e tradicional prole. Os filhos desse casamento foram Jorge Zipperer, da Móveis Cimo, e que tanto fez por Rio Negrinho, além de Martim Zipperer, também da Móveis Cimo, José Zipperer Filho, que teve o Salão Independência, Carlos Zipperer, também de destacada vida pública em São Bento, Barbara Zipperer, casada com Josef Robl, e ainda uma menina chamada Eva, que faleceu com algumas horas de vida.
Já Elisabeth, viveu 15 anos em São Bento, pois faleceu no dia 30.10.1888, de marasmo senil, quando contava com 66 anos de idade. É possível ver uma gravura sua em companhia do esposo Anton Zipperer no citado livro “São Bento no Passado”.
Publicado em:  on 03/11/2007 at 5:18 PM Comentários (3)

12. Antônio Correia Santos (1902-1944)

Meu bisavô Antônio Correia Santos nasceu provavelmente em 1902, na região de Agudos do Sul/PR. Teve três filhos com Francisca da Silva, filha de Francisco e Quintiliana da Silva, embora não fossem casados.
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Antônio trabalhava como lavrador, era de origem bastante humilde.
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Faleceu no Hospital Nossa Senhora da Luz, em Curitiba, às 11h do dia 31.03.1944. Quem declarou seu óbito foi Teófilo Pasternak. O atestado foi firmado pelo Doutor João Carmeliano de Miranda, que apontou como causa da morte debilidade mental e insuficiência cardio-renal. Consta que era de filiação ignorada, solteiro, e que não deixou testamento nem bens.
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O sepultamento seguiu para o Cemitério do Bairro Água Verde, em Curitiba.
Publicado em:  on 02/11/2007 at 3:07 PM Deixe um comentário