Meu trisavô Friedrich Fendrich foi padrinho de algumas crianças em São Bento, conforme atestam os registros eclesiásticos da Igreja Católica da cidade. Uma delas esconde um história triste. No dia 12.02.1885, foi batizada Bertha, filha de Anton Herdina e Julie Löffler (Scheffel nesse registro). Esse casal veio ao Brasil no ano de 1877, a bordo do Valparaíso. Ele era operário, segundo as listas de passageiros, e natural de Plauschütz, na Boêmia, enquanto que sua esposa era de Maffersdorf. Vieram com a filha Antônia, e no Brasil tiveram ainda as filhas Anna e Maria, além da Bertha de quem estamos tratando. Friedrich Fendrich foi padrinho de batismo de Bertha, junto com Bertha Gunlatsch, vindo daí, naturalmente, o nome da recém-nascida. Não pude estabelecer ainda qual era o relacionamento existente entre os Fendrich e os Herdina, que moravam afastados do núcleo central, onde morava Friedrich. Os registros apontam Estrada dos Banhados e Estrada Bismarck como residência dos Herdina. De qualquer forma, o fato é que Friedrich foi padrinho dessa criança.
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Mas um registro datado de pouco mais de um mês depois, a 25.03.1885 torna essa história trágica. Foi o dia em que se enforcou Julie Löffler, a “comadre” de Friedrich, em sua casa em Bechelbronn, hoje Rio Vermelho. A filha Bertha havia sido batizada no mesmo dia que nasceu, de modo que estava com pouco mais de um mês de vida quando Julie se suicidou. Por que teria feito isso? Há alguma relação com o pós-parto? São coisas que os documentos já não nos permitem dizer, e perguntas que ficarão para sempre sem comprovação. A pequena Bertha ficou órfã sem ter tempo de conhecer a mãe.