O “Coisa Velha” mudou de endereço, e agora estará mais focado em assuntos pertinentes à história de São Bento do Sul. Eis o link: http://saobentonopassado.wordpress.com
Aldeia Natal dos Imigrantes I – Hammern
Da aldeia de Hammern, na Boêmia, imigraram para Sâo Bento do Sul as famílias Aschenbrenner, Augustin, Dorner, Dums, Eckl, Ehrl, Fürst, Grossl, Jungback, Kollross, Liebl, alguns Linzmeyer, Oberhofer, Pscheidt, Puschinger, Rank, Rohrbacher, Rückl, Schreiner, Stiegler, Stoeberl, Stueber, Tauscher, alguns Treml, e provavelmente outras.
Existe um site específico sobre o sul e a floresta da Boêmia. Nele, constam algumas informações sobre a história das vilas daquela região. Entre elas, a vila de Hamry, nome atual de Hammern. De lá, traduzo as seguintes informações sobre a vila:
HAMRY
A pequena vila Hamry é um centro bem conhecido de lazer na parte ocidental das montanhas Sumava (Bôhmerwald) no Rio Uhlava, cerca de 8 km a sudeste da cidade de Nyrsko.
A vila surgiu como um assentamento de ferreiros, próximo das minas de ferro. A primeira menção é de 1429. As fábricas de vidro foram fundadas ali na primeira metade do século XVIII. Hamry foi também uma sede do gabinete magistrado, na Idade Média.
O nome Hamry quer dizer “moinhos de ferro” e se origina do tempo da fundação do original assentamento de ferreiros.
A Igreja de Nossa Senhora das Dores (está “Sorrow”) surgiu da capela original em 1773. A única fonte talhada de um bloco de granito pode ser vista próxima da Igreja. Ela data de 1856 e tem cerca de 4m de comprimento e 1m de largura.
O compositor P. Stuiber nasceu e morreu em Hamry.
Mini-Contos de São Bento do Sul II
Os Maridos de Julia Roesler
Julia Roesler foi casada com José Peukert, que morava na Estrada do Lago. Algum tempo depois, seu marido faleceu. Ela voltou a se casar, dessa vez com Antônio Finke. Esse seu segundo marido também faleceu pouco tempo depois. Julia então se casou com José Raschel. E quando ficou viúva dele também, não voltou a se casar – embora tivesse recebido uma quarta proposta.
Original em: “História da Igreja Católica de São Bento”, de Alexandre Pfeiffer.
1ª Igreja Luterana de São Bento do Sul?
É sabido pela historiografia de São Bento do Sul que a primeira Igreja Luterana de São Bento foi criada em 1887. Um diretoria provisória, composta pelos cidadãos Amandus Jürgensen, Otto Krause, Gustav Kopp, Friedrich Rathunde, Carl Mrosk, Hermann Lille, Hermann Hinke e Adolph Thomsen se reuniu na primeira assembléia geral extraordinária da Comunidade Evangélica de São Bento, em 12 de junho daquele ano. A descrição esmiuçada do que ficou estabelecido após essa reunião está presente a partir da primeira página do livro de atas.
Assim, parece claro que não existia uma Igreja Protestante na época. E não havia outras fontes que sugerisse ter havido alguma outra, em período anterior. Recentemente, no entanto, Brigitte Brandenburg citou um trecho da Gazeta de Joinville de 20/12/1877, na qual algum autor fala sobre assuntos da vida cotidiana de São Bento. E, em dado momento, fala também das Igrejas:
“O centro do nosso distrito progride, com quanto se façam sentir algumas necessidades. Já era tempo para termos uma igreja do gremio católico para veneração do culto divino, temos apenas uma insignificante ermida sem capacidade para a quarta parte dos fiéis que em dias santificados procuram cumprir os preceitos de nossa religião. A igreja protestante é mais espaçosa e em tudo mais regular, não obstante o número dos acatólicos ser menor.”
As referências feitas a respeito da Igreja Católica conferem com aquilo que é sabido pelos autores da história de São Bento. A primeira missa católica foi realizada em 08/03/1876. O cronista Josef Zipperer comparar a primeira Igreja ao estábulo onde Jesus nasceu – assim, provavelmente não podia abrigar muitos fiéis.
O que há de novo no trecho citado no jornal é, justamente, a citação de uma Igreja Protestante em São Bento do Sul, já em 1877 – dez anos antes daquela que é entendida como a primeira. Embora ainda não saibamos como tenha surgido essa Igreja, onde se localizava, quem foram seus idealizadores e quais eram as atribuições que cabiam a ela (poderia ser uma pequena casa de oração, sem pastor), a descoberta dessa fonte vem, de certa forma, sugerir novas investigações a respeito, a fim de melhor compreender a história da Comunidade Evangélica da Cidade, e complementar o bom livro de Alexandre Pfeiffer “História da Comunidade Evangélica Luterana de São Bento” (1999).
Os jornais antigos de Joinville estão recheados de informações que auxiliam no entendimento da história de São Bento do Sul e de seus personagens.
Grandes Vultos de São Bento do Sul V
ANGEWITZ, Roberto. (São Bento do Sul, 29/10/1878 – Curitiba, 22/10/1947). Também conhecido por “Perna-de-pau”. Pioneiro na exploração do xisto betuminoso em São Mateus do Sul/PR. Filho de Maximiliano Angewitz, ou Andziewicz, e Nathalia Cyms, imigrantes alemães que vieram para São Bento do Sul. Aos oito anos, foi mordido na perna direita por uma cobra, o que lhe custou a amputação do membro e a sua substituição por uma de maneira – o que lhe rendeu o apelido. Por volta do começo do século XX, se mudou para Curitiba, onde foi motorista de táxi e também abriu uma fundição de bronze e ferro. A 1ª Guerra Mundial fez com que seu negócio ruísse. Depois, montaria uma oficina de reparações. Em 1932, quando as restrições cambiais tornaram muito difícil a importação de gasolina, realizou em São Mateus do Sul experiência de destilação do xisto. Aos poucos, obteve os primeiros resultados satisfatórios, conseguindo produzir gasolina e outros produtos. Passou então a se dedicar exclusivamente à atividade pioneira, criando inclusive a primeira usina para exploração e destilação do xisto. Foi por algum tempo um dos raros homens que podia dispor de gasolina no Brasil e que sabia como obtê-la. O pioneirismo, no entanto, fez com que não tomasse alguns cuidados e, conseqüentemente, fosse lentamente envenenado pelos gases com que lidava. Com o surgimento da campanha nacional do “O Petróleo é Nosso”, não houve como defender-se dos interesses do governo, que adquiriu a sua inovadora usina e lhe deu em troca apenas 200 contos. Casou-se com Helena Henning e teve os filhos Elly, Paula e Roberto Oscar. Entre 1946 e 1947 voltou para Curitiba, onde faleceu. Para homenageá-lo, foi construída uma estátua de Angewitz na cidade de São Mateus do Sul, em tamanho natural. (Fontes: “São Bento na Memória das Gerações”, de Alexandre Pfeiffer)
Mini-Contos de São Bento do Sul I
As Pílulas Milagrosas
Não havia médicos, e o colono Franz Lilla estava para morrer. Chamou-se outros colonos para auxiliarem a pobre esposa. Eles olharam para o doente, ouviram o que falava, e constataram: febre gástrica. Os imigrantes foram até o centro da cidade e encontraram uma caixa com a etiqueta “Pílulas contra febre”, contendo trinta e duas pílulas, do tamanho de ervilhas. Voltaram para a casa do doente, e lhe medicaram todas as 32 pílulas, lamentando que só houvesse essas. Com uma dose tão grande de medicamentos, Lilla começou a estrebuchar, a querer pular da cama para dentro d’água, e a puxar os cabelos raivosamente, para desespero dos presentes. Foi difícil conseguir acalmá-lo. Por fim, adormeceu.
No dia seguinte, Franz Lilla estava de volta ao trabalho de sua roça.
Original em: “São Bento no Passado”, de Josef Zipperer.
Flecken – Aldeia Natal dos Zipperer

A família Zipperer que imigrou para a cidade de São Bento do Sul em 1873 era originária da aldeia de Flecken, na Floresta da Boêmia, atualmente chamada de Fleky. O local fica próximo à fronteira com a Bavária (a parte em amarelo, no topo da imagem, é a divisa). As imagens do Google Earth mostram o pouco desenvolvimento do lugar, mesmo em nossos dias.

Grandes Vultos de São Bento do Sul IV
NEUMANN, Johann. (05/04/1858-). Também conhecido como João Neumann. Foi um dos fundadores da Sociedade de Cantores 25 de Julho, em 11/10/1881. Filho de Anton Neumann e Brígida Fischer. Aos 22 anos, Imigrou sozinho para o Brasil, vindo de Wurzeldorf, na Boêmia, a bordo do Navio Montevideo, que saiu do porto de Hamburgo em 18/06/1880 e chegou ao porto de São Francisco do Sul em 19/07/1880. Pouco tempo depois, casou-se com Antonia Hermann, filha de Franz Hermann e Anna Wagner. Neumann cedia o seu salão para ensaios do Coral. Em setembro de 1895, aconteceu um encontro de corais em São Bento, do qual participaram a atual Sociedade de Cantores 25 de Julho, a Sociedade de Canto Erholung, de São Bento, e o Coral Sängerbund, de Joinville. João Neumann e sua esposa Antonia Hermann fizeram parte do grupo responsável pelos enfeites e decoração do encontro – o que acabou lhes saindo bastante caro, diminuindo os possíveis lucros do evento. Numa reunião da Sociedade em 05/04/1908, João Neumann recebeu o título de sócio honorário, como forma de homenageá-lo pela passagem, naquele dia, do seu qüinquagésimo aniversário. Naquele mesmo ano, em meio às discussões sobre a necessidade da Sociedade encontrar uma nova sede, Johann Neumann foi um dos que ofertaram um pedaço de terra que julgou conveniente para a instalação do grupo. Em uma eleição secreta, o terreno de João Neumann foi escolhido como o mais adequado, por 8 votos a 5. Uma comissão da Sociedade tratou de todos os detalhes, e a sede se mudou, efetivamente, para o seu terreno. O presidente da Sociedade de Cantores 25 de Julho, Wilhelm Thomas (ver), sugeriu, em reunião, que o terreno adquirido não pudesse ser vendido para nenhuma outra pessoa, a não ser ao próprio João Neumann, caso quisesse um dia vender a sua propriedade. Neumann havia emprestado vinte mil-réis para que a Sociedade pudesse comprar os primeiros pregos para a construção da nova sede. Em um gesto nobre, resolveu que a quantia era uma doação. Em um ensaio de canto ocorrido em 14/03/1911, o regente Veit Schwedler (ver) chamou a atenção para os poucos cuidados que estavam sendo dispensados para os livros de canto da Sociedade. Nomeou-se, então, dois cantores para assumir a responsabilidade de cuidar dos livros, encapando-os e deixando-os sempre em seus devidos lugares. Esses cantores foram Victor Greipel (ver) e João Neumann. O nome de Neumann também aparece entre os componentes do Coral Misto que o regente Hugo Schwarz (ver) manteve durante alguns anos, os primeiros da década de 30. Durante as comemorações pelo centenário da Sociedade de Cantores 25 de Julho, em outubro de 1981, João Neumann foi lembrado pelos coralistas, que colocaram uma bonita coroa de flores na sua sepultura, no cemitério da Estrada da Serra, relembrando os seus gestos em benefício da Sociedade. O terreno doado por Neumann para ser a sede dos cantores foi, décadas depois, cedido à Comunidade Evangélica de Confissão Luterana, uma vez que a Sociedade construíra uma nova sede em terreno de Martin Bayerl (ver). Neumann também fazia relógios e placas de cemitério pintadas. Foi ele mesmo quem fez a própria lápide, assim como da sua esposa. O casal teve ao menos as filhas Maria Mathildes, Anna e Laura. (Fontes: “A Cultura na Sociedade de Cantores 25 de Julho”, de Herbert Alfredo Fendrich” e “Famílias Tradicionais”, de Paulo Henrique Jürgensen).
Grandes Vultos de São Bento do Sul III
FREITAS, Francisco Teixeira de. Subdelegado, Juiz de Paz, fazendeiro e um dos primeiros moradores nacionais de São Bento do Sul. Filho de Joaquim Teixeira da Cruz e Maria de Freitas, neto paterno de Pedro Teixeira da Cruz e Maria Rosa de Oliveira. Foi o primeiro subdelegado de São Bento do Sul, dois anos após sua fundação, em 1875, nomeado pela Presidência da Província. Teve a primeira audiência em 06/10/1875. Quase dois anos depois, a 06/10/1877, foi demitido do seu cargo, assim como Amâncio Alves Correa (ver) sob a alegação de que não residiam no distrito de São Bento. Com a criação do Distrito de Paz de São Bento, em 1878 ocorreu a primeira eleição para Juizes de Paz. A mesa paroquial de Joinville, reunida para a votação, elegeu Francisco Teixeira de Freitas, fazendeiro, como o 1º Juiz de Paz de São Bento do Sul, recebendo 61 votos. Em 1º de Julho de 1880 ocorreu eleição para vereadores e juizes de paz para o quadriênio 1881-1884. Dessa vez, Francisco Teixeira de Freitas foi eleito como 2º Juiz de Paz, ficando atrás apenas de Francisco Bueno Franco (ver). Entre os nomes presentes no alistamento eleitoral de São Bento no ano de 1881, enviado ao Juiz Municipal substituto de Joinville, Sr.Victorino de Souza Bacellar, Francisco aparece como morador do 3º Quarteirão. Em 20 de agosto de 1882 houve nova eleição em Joinville para o cargo de Juiz de Paz em São Bento. Novamente candidato, Francisco Teixeira Freitas foi eleito como 3º Juiz de Paz, ficando atrás de Francisco de Paula Pereira (ver) e Vicente Ferreira de Loyola (ver). Com a elevação de São Bento à categoria de vila, ocorreu a eleição municipal no dia 20/10/1883, da qual Francisco atuou como mesário e o responsável pela chamada dos eleitores. Assim que ouviam seus nomes, eles transpunham a grade, apresentavam os títulos, votavam em uma cédula branca e assinavam um livro de registros. Ao final da votação, coube a Francisco Teixeira de Freitas a leitura das cédulas dos 20 eleitores que compareceram à votação. Na condição de 2º Juiz de Paz, Teixeira de Freitas também foi mesário da nova eleição para vereadores e juízes de paz, que se desenrolou em 12/10/1886. Francisco casou-se em São José dos Pinhais a 13/02/1848 com sua prima Francisca d’Assis Teixeira, filha de Francisco Manoel Teixeira e Anna Machado, havendo dispensa do impedimento de consangüinidade em 2º e 3º graus duplicados em linha transversal. Com ela, teve os seguintes filhos, os quais vieram todos morar nas proximidades de São Bento do Sul: Maria Teixeira de Freitas, Pedro Teixeira de Freitas, Leodora Teixeira de Freitas, Anna Teixeira de Freitas, outro Pedro Teixeira de Freitas, Escolástica Teixeira de Freitas e Francisca Teixeira de Freitas. Próximo à sua casa havia uma ponte, razão pela qual se referia a ela como “ponte de Francisco Teixeira de Freitas”. (Fontes: “São Bento do Sul – Subsídios para a sua História”, de Carlos Ficker; “Família Tradicionais”, de Paulo Henrique Jürgensen, e “Genealogia Cabocla de São Bento do Sul”, de Henrique Luiz Fendrich).
Banda Treml homenageia Josef Blau
Josef Blau, o cronista que escreveu aquele livreto “Bayern in Brasilien”, com informações dos primeiros colonos boêmios/bávaros de São Bento do Sul, repassadas a ele por Jorge e Martim Zipperer, recebeu em sua homenagem uma missa fúnebre em solo são-bentense, três semanas após o seu falecimento na Bavária, em 22/10/1960.
A missa aconteceu no dia 15/11/1960, conforme o convite em anexo (em português e alemão). A homenagem contou com a participação da Banda Treml. Assim narrou meu avô Herbert Alfredo Fendrich em seus diários sobre a Banda:
“Conforme o programa-convite aqui anexo, celebrou-se aqui em São Bento às 8h30 do dia 15-11-60 a Missa Requiem por alma do Sr. Josef Blau. No início da Santa Missa, nós tocamos o coral “Além dos Astros”, o que chegou a arrancar lágrimas de diversos, pois este é o coral que a Banda toca na sepultura, quando acompanha à última morada algum conhecido. A Requiem-míssa foi cantada pelo Coro Santa Cecília. Terminada a missa, tocamos ainda a marcha fúnebre de Chopin. Então, com lindas palavras do Revdo. Pe. Vigário, teve encerramento este ato, após o qual, tiramos uma foto em frente à Igreja, e que vai ser enviada à família enlutada do finado.
Dali fomos até o Bar Toni, onde nos foi oferecido uma boa cervejada e uma suculenta churrascada, durante a qual fizeram-se ouvir vários oradores, entre os quais o Sr. Martim Zipperer, que falou sobre a tradição. Dizia ele, em seu discurso, que o homem sem tradição não vale a pena viver. Esta é uma frase de grande valor e bem acertada. Após outros discursos e elogios ao Coro e à Banda, e também agradecimentos dos mesmos, cada qual tomou sua cerveja e retiramo-nos para casa.”
Grandes Vultos de São Bento do Sul II
FENDRICH, Friedrich. (Lomnitz, 24/04/1843 – São Bento do Sul, 24/01/1906). Conhecido também como Frederico Fendrich. Homem culto, sapateiro de ofício, e considerado o primeiro professor do núcleo central de São Bento. Filho de Franz Fendrich e Maria Magdalena Trnka, cedo se mudou para a cidade de Viena, onde aprendeu a sua profissão e onde também se casou com Catharina Zipperer, filha de Anton Zipperer (ver) e Elisabeth Mischeck. Com sua esposa e uma filha pequena, imigrou ao Brasil no ano de 1875, a bordo do Barco Alert, que chegou ao porto de São Francisco do Sul em 14 de julho daquele ano. Instalaram-se no centro de São Bento, no local da antiga Caixa Econômica Federal, onde montou a sua sapataria. Reconhecido como homem de inteligência, foi incumbido de dar aulas para as crianças dos imigrantes, já que estas não possuíam qualquer auxílio escolar. Improvisou-se uma escola, anexa à sua casa, e lá Fendrich ensinou as crianças alemãs entre 1876 e 1879, até a chegada do padre Adalberto de Leliva Burowski (ver). Dividia a função de professor com o seu trabalho de sapateiro. Ensinou o seu ofício para os filhos Frederico Fendrich (ver) e Francisco Fendrich. Além deles, teve ainda os filhos Hedwiges Fendrich, nascida em Viena, Maria Catharina Fendrich, Amália Josefina Fendrich, José Fendrich (ver) e Rodolfo Fendrich. Foi por muito tempo o presidente da Sociedade Auxiliadora Austro-húngara, uma agremiação de auxílio-mútuo para os seus conterrâneos. Está sepultado no Cemitério Municipal de São Bento do Sul. É nome de uma escola no bairro de Serra Alta. (Fontes: “São Bento no Passado”, de Josef Zipperer, “São Bento do Sul – Subsídios para sua História”, de Carlos Ficker”, informações de seu neto Herbert Alfredo Fendrich, e “Famílias Tradicionais”, de Paulo Henrique Jürgensen).
Grandes Vultos de São Bento do Sul I
BEYERL, Benedikt. (Holschlag, 30/04/1856 – São Bento do Sul, 24/02/1928). Lavrador, membro da Sociedade Auxiliadora Austro-húngara, considerado o noivo do primeiro casamento boêmio de São Bento do Sul. Filho natural de Maria Beyerl, cedo ficou órfão. Bastante jovem, arrumou emprego na marcenaria de Georg Neppel, e lá se encantou pela filha do seu chefe, Annemarie Neppel (ver). Os pais de Annamarie não viram com bons olhos o interesse de Benedikt (que era um rapaz órfão e humilde) e proibiram o romance. Deixou de trabalhar na marcenaria. Em 1874, Benedikt acompanha a família de Georg Gschwendtner, seu parente, na imigração para o Brasil, a bordo do navio Shakespeare – sem, no entanto, esquecer de Annemarie. Arrumou para si um lote na atual Rua Antônio Hilgenstieler. No ano de 1876, a família de Georg Neppel também imigra para o Brasil, instalando-se em São Bento, e Benedikt e Annemarie voltam a se ver. Contrariando a vontade dos pais, a moça decide se casar com Benedikt, o que aconteceu em julho de 1876 – cerca de um mês depois que Annemarie imigrara para o Brasil. A festa foi grande e considera-se que, além de ter sido o primeiro casamento na cidade, foi o primeiro evento em que uma banda de música local se fez presente – a Bandinha Augustin. Benedikt ficou viúvo de Annemarie menos dez anos depois e parece não ter deixado geração dela. Casou-se novamente, dessa vez com Catharina Brandl, que imigrara no mesmo navio que ele, ainda pequena. Com ela, teve os filhos Luiz, Thereza, Maria, José, Carlos, Engelberto, Benedicto, Catharina, Rodolfo e Paulo Bail. (Fontes: “São Bento no Passado”, de Josef Zipperer, “Bayern in Brasilien”, de Josef Blau, “A Sociedade Auxiliadora Austro-húngara” e “80 Anos do Falecimento de Benedikt Beyerl”, de Henrique Luiz Fendrich, registros eclesiásticos e civis, e informações de Herbert Alfredo Fendrich e Dóris Isolda Giese, neta de Benedikt Beyerl).
Os pais de João Florido Cavalheiro
João Florido Cavalheiro é um dos meus antepassados – meu pentavô, para ser mais exato. Era casado com Eduvirgens de Pontes Maciel, com quem teve vários filhos, todos batizados e casados na Lapa. Entre eles, minha tetravó Flora Lina Cavalheiro, nascida em 1848, e que se casou com Felippe Soares Fragoso. Da Lapa, Flora e seu esposo chegaram até a região de Fragosos, hoje município de Campo Alegre, onde deixaram descendência.
Muito pouco se sabe, no entanto, sobre o passado de João Florido Cavalheiro. As pesquisas que tenho feito não conseguiram encontrar o registro de seu casamento, que deve ter ocorrido por volta de 1826. Nos livros eclesiásticos da Lapa, não existe tal assento. Os registros de batismo dos filhos de João Florido tampouco apontam sua origem – não dizem se era da Lapa e também não dizem ser de outro lugar (como creio ser mais provável).
Apesar dessas dificuldades, creio ter encontrado algumas pistas de quem eram os seus pais. Em suma, suspeito que tenham sido Florêncio José Leme e Benigna Maria (ou Maria Benigna). Há uma série de razões que me levam a crer nessa hipótese, mas não encontrei ainda o documento definitivo que me aponte com segurança a sua filiação – razão pela qual ainda não é possível sair do campo das hipóteses, por mais prováveis que elas nos pareçam.
De início, sei que existiam algumas famílias com o sobrenome “Lemes Cavalheiro”, ou “Lemos Cavalheiro”, na região de Curitiba – e parece que no Rio Grande do Sul esse sobrenome duplo também aparecia. Elas podem ou não ter relação com os nomes dessa pesquisa. A isso se soma o fato de que, para as famílias portuguesas, nem sempre o sobrenome do pai era o mesmo sobrenome do filho. Por isso, nada impede que um Leme tenha tido como filho um Cavalheiro, conforme eu suspeito.
Não sei dizer de que forma minha suspeita tomou raiz, ou qual coincidência me chamou a atenção primeiro, a ponto de me fazer cogitar a ligação entre esses nomes. De qualquer forma, procurarei enunciar todas as características que pude perceber no decorrer da análise, independente da ordem em que tenham surgido.
Em 1825, a família de Florêncio José Leme aparece pela primeira vez nos maços populacionais da Lapa, morando no fogo 174. Tinha Florêncio 45 anos e sua esposa Maria Benigna 36. Com eles, moravam dois filhos: João, de 16 anos, e Joaquim, de 14 anos. Os escravos Dionísio (28 anos), Anacleto (24 anos) e Domingas (22 anos), além do agregado Firmino (pardo, 14 anos) completam a lista de moradores. Nota-se, portanto, que havia um João entre os filhos de Florêncio. Se eu estiver certo, se tratará, efetivamente, de João Florido Cavalheiro. Evidencia-se, ainda, um certo destaque social dessa família, possuidora de mão-de-obra escrava. Essa constatação será útil mais adiante.
No ano seguinte, 1826, há um novo registro da família de Florêncio nos maços populacionais da Lapa. Só que com uma significativa diferença: nele, não constam mais os filhos. Florêncio José Leme aparece com 46 anos e sua esposa Maria Benigna com 37 anos – ou seja, confirmando a idade apontada no registro do ano anterior. Os escravos e o agregado continuam morando com a família de Florêncio. Mas nem sinal de João e Joaquim, os filhos apontados em 1825.
Disso seria possível concluir que teriam se casado, passando a morar em domicílio próprio. Mas a conclusão não é tão simples assim, por conta da idade apontada para os dois. Ainda que se aceite que João, aos 17 anos, esteja casado, não é muito provável que um Joaquim de 15 anos também o seja – mesmo naquela época. Os registros posteriores me levam a crer que a idade dos dois está equivocada em alguns anos. Mas, por ora, atemo-nos ao fato de que o João que penso ser o João Florido Cavalheiro não estava mais morando com o pai, e que era possível que, nesse intervalo entre um maço populacional e outro, ele tenha se casado.
Lembro ainda que não foram encontrados registros posteriores de algum Joaquim que pudesse ser o filho de Florêncio – razão pela qual não se exclui também a possibilidade de óbito. Nota-se ainda que, confirmada a hipótese de casamento, seria provável que tal família estivesse entre as que foram mencionadas no maço populacional. E, no entanto, João não aparece, nesse ano, nem como filho de Florêncio e nem em domicílio próprio – muito menos Joaquim.
Em 1827, um novo maço populacional atualiza as informações a respeito da família de Florêncio José Leme. Agora, possuíam três escravos a mais. No entanto, os filhos não moravam com eles, a exemplo do que se percebeu no ano anterior. Mas nesse ano encontramos, efetivamente, o domicílio de João Florido Cavalheiro – seja filho do Florêncio ou não. Estava com 22 anos, e sua esposa Eduvirgens com 17. Já possuíam um filho, chamado José, que contava com 1 ano. E eram proprietários da escrava Felippa.
Ou seja, nota-se que um João aparece como filho de Florêncio em 1825, desaparece em 1826, e um João Florido Cavalheiro aparece repentinamente em 1827 – e morando em domicílios próximos: enquanto Florêncio e sua esposa moravam no fogo 80, João Florido morava no fogo 71.
Comparando-se as idades declaradas, no entanto, surgem algumas contradições. Tendo João Florido Cavalheiro 22 anos em 1827, teria 20 dois anos antes. E já se observou que a idade declarada para o filho de Florêncio na época foi de 16. Sabe-se que a questão das idades em maços populacionais é muito controversa, e são bastante freqüentes os equívocos a esse respeito. Ainda que a diferença pareça alta entre um e outro registro (4 anos), é preciso considerar a possibilidade de ter havido erro em algum deles. De qualquer forma, ainda que o maço populacional nos forneça o domicílio de João Florido, não é possível concluir daí que se trata do mesmo filho de Florêncio que desapareceu da sua residência.
Chama a atenção, ainda, o fato de João Florido e sua esposa Eduvirgens já contarem, naquele ano de 1827, com um filho de 1 ano – a aceitar a idade como próxima da realidade, ele teria nascido no ano anterior, o mesmo em que um João deixou de aparecer no domicílio de Florêncio.
Percebe-se também que, se a família de Florêncio José Leme era mais ou menos abastada, a ponto de possuir mão-de-obra escrava (e nesse ano, os escravos eram seis), a família de João Florido Cavalheiro também dispunha desse tipo de serviço – embora representado por apenas uma escrava.
O próximo ano apontado pelo maço populacional é o de 1829 – dois anos depois, portanto. Voltamos a encontrar os domicílios de Florêncio e de João Florido. Dessa vez, mais pertos do que antes: um ao lado do outro, sugerindo uma ligação que, se não era sangüínea como a cremos, ao menos era de relações cotidianas. Ambas as residências não sofreram grandes alterações, apenas mais uma agregada, chamada Anna, de 8 anos, passou a morar no domicílio de Florêncio José Leme. João Florido ainda não aparece com outros filhos além de José. A sua idade, nesse ano, aparece como sendo de 24 anos – portanto, corroborando o maço de 1827. As informações e idades são mantidas no registro seguinte, de 1830 – o que leva a crer que, se de fato há equívoco nas idades apontadas, ele se dará no registro em que o João, filho de Florêncio, aparece com 16 anos. Se não há equívoco nesse ponto, trata-se de pessoas diferentes, e, portanto, a hipótese não se confirma.
Das informações dos maços populacionais, passamos para outras, presentes nos livros da Igreja de Santo Antônio da Lapa. Não encontramos o registro de batismo de José, filho de João Florido Cavalheiro, assim como não encontramos, como dito, o seu registro de casamento com Eduvirgens de Pontes Maciel – de quem, portanto, também desconhecemos os pais. Há, portanto, a possibilidade de João Florido ter se casado em outro lugar, e batizado o filho nesse mesmo lugar desconhecido, para só então passar a morar na Lapa e figurar nos maços populacionais. Isso explicaria a ausência de registros, mas não o desaparecimento de um João entre os filhos de Florêncio.
Se não achamos o registro de batismo de José, achamos de seus irmãos e irmãs. O primeiro que encontramos é bem significativo. Em 15/11/1829 foi batizada Benigna, filha de João Florido Cavalheiro e Eduvirgens Maria, tendo como padrinhos Joaquim Pacheco da Silva e Rozanna Maria da Silva. Sabemos que era Benigna o nome da esposa de Florêncio José Leme. Naturalmente, a simples escolha de um nome para uma filha não significa uma relação de parentesco – por mais que o nome Benigna não estivesse, nem de longe, entre os mais comuns da época. De modo que, tendo parentesco ou não com a Benigna esposa de Florêncio, é possível que fosse a ela que estivessem homenageando – considerando-se ainda, nesse ponto, que as duas famílias moravam, naquele ano, uma ao lado da outra, como visto.
Dois anos depois, em 02/10/1831, foi batizada Rita, filha de João Florido Cavalheiro e Eduvirgens de Pontes. Foram padrinhos Florêncio José Leme e Joaquim Roberto. A presença de Florêncio nesse registro mostra que a relação entre as duas famílias era maior do que a simples vizinhança.
Rita, ao crescer, era conhecida como Rita Florida Cavalheiro, em alusão ao nome do pai. Em 23/06/1857, ela se casou com João Mariano Duarte. Dessa relacionamento, nasceu, entre outros, um filho que levou o nome de Florêncio Duarte Cavalheiro. Nesse ponto, não era João Florido que estava homenageando alguém próximo do seu círculo de relações, como é possível alegar no caso da filha Benigna. Era outra filha sua, e que provavelmente não iria se dispor a homenagear alguém apenas por ser conhecido de seu pai – a menos que houvesse profundas ligações entre essas famílias. Seria natural, no entanto, chamar um filho de Florêncio se este fosse o nome de um avô seu – a homenagem se justificaria. Ainda não há como sair, no entanto, do campo das hipóteses.
Mas elas se tornam mais robustas quando percebemos que, em 29/07/1837, foi batizada outra filha de João Florido Cavalheiro e Eduvirgens de Pontes Maciel, chamada novamente de Benigna. Supõe-se que a primeira tenha falecido pequena. Nada exclui a possibilidade dos pais gostarem muito desse nome, a ponto de repeti-lo para uma nova filha que tiveram. Mas o fato é que, fosse filho ou não, João Florido Cavalheiro conhecia uma Benigna – e é difícil, nesse ponto, não acreditar na possibilidade de homenagem (caso isso seja verdadeiro, haveria ainda uma grande necessidade de homenagear, já que o nome foi dado para uma nova criança).
A hipótese ganha mais força ainda em 28/05/1842. Nesse dia, foi batizada na Lapa outra filha de João Florido e sua esposa, e que recebeu o nome, vejam vocês, de Benigna. Como se não bastasse uma terceira criança ter recebido o mesmo nome, os padrinhos desse batizado são Florêncio José Leme e Benigna Maria, praticamente comprovando a homenagem – mas ainda não o parentesco, obrigando-nos a nos conter nas conclusões.
Cremos que as duas primeiras Benignas realmente faleceram pequenas. Em idade adulta, encontramos apenas uma Benigna Cavalheiro, casada com João Paulo de Santana Nunes em 15/11/1874, também na Lapa. De modo que acabaram por aí os batizados de Benignas. A insistência de João Florido Cavalheiro e sua esposa na escolha desse nome sugere uma ligação entre sua família e a de Florêncio José Leme muito maior do que a de simples conhecidos – mas também não chega a dar certeza absoluta de nada.
De qualquer forma, é muito difícil se controlar para não dar como certa a filiação quando se percebe ainda que essa Benigna Cavalheiro que sobreviveu teve com seu marido uma filha, batizada na Lapa em 20/12/1881, e que recebeu o nome de… Florência. Se a hipótese não se confirmar, irei crer imensamente na capacidade do acaso em brincar com os genealogistas.
João Florido Cavalheiro e Eduvirgens de Pontes Maciel tiveram ainda um filho chamado João, o nome do pai. E a próxima a nascer foi minha ancestral que, ao contrário do que se poderia esperar, não levou o nome de Benigna. Flora Lina Cavalheiro nasceu em 17/10/1848. Nota-se ainda a insistência por nomes que possuem o mesmo radical: Florêncio, Florido e Flora. Se não for o bastante, ainda digo que a escrava Felippa, de propriedade de João Florido, teve um filho que levou o nome de Appolinário Floriano.
Caso não tenha me esquecido de nenhuma, essas são as evidências que (se me permitem o eufemismo) me fizeram suspeitar de Florêncio José Leme e Benigna Maria como pais de João Florido Cavalheiro. Benigna faleceu em 27/08/1843, com 45 anos, segundo o padre que fez o seu assento de óbito. E, segundo ele, não deixou testamento. O óbito de Florêncio não foi encontrado. O próximo passo será verificar se, por ventura, ele não chegou a deixar testamento. Caso eu encontre esse precioso documento, provavelmente as dúvidas se dissiparão. A menos que, ao falar da filiação, conste apenas algo como “filho João, casado”. Mas acho que o acaso não seria tão brincalhão assim.