4. Herbert Alfredo Fendrich (1930-2007)

Começo a escrever sobre as pessoas da minha árvore genealógica que já não estão entre nós. De início, escrevo sobre meu avô Herbert Alfredo Fendrich, que ocupa o número 4 na minha árvore.
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Herbert Fendrich e Dóris Giese, comemorando bodas de ouro em 2001

Herbert nasceu em São Bento do Sul no dia 05.04.1930, e foi registrado dez dias depois. Era o décimo-terceiro filho que tinha o casal Frederico Fendrich e Anna Roesler. Nos seus primeiros anos, vivia no centro da cidade, no local onde antigamente era a Caixa Econômia e hoje é a Farmácia do Sesi. Estudou no Colégio São José. Chegou a ser coroinha, pois vinha de família religiosa.
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Por volta de 1944 começou a trabalhar nas Indústrias Zipperer, onde aprendeu o ofício de marceneiro. Três anos depois, seu pai faleceu, e com isso ficou sozinho com a mãe e uma irmã. Os demais irmãos já estavam casados.
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Casou-se em São Bento do Sul no dia 06.10.1951 com Dóris Isolda Giese, descendente em linha reta de alemães pomeranos e protestantes, filha de Rodolfo Giese e Catharina Bail, que tinha ascendência boêmia e católica. Tiveram cinco filhos.
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Depois de um bom tempo trabalhando nas Indústrias Zipperer, mudou-se para Campina dos Crispim, no município de Piên. Lá ajudava seu sogro Rodolfo Giese no tradicional comércio que o mesmo mantinha, entre 1956-1960. Voltando para São Bento, trabalhou na Madeireira Weihermann, COPAM, Móveis Bercka e Móveis James como marceneiro e modelista.
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Em 1954, resolveu pedir para que Affonso Treml, o Xerife, ensinasse música a ele, visando entrar na Banda Treml, que gostava de ouvir. Com grande gosto e talento musicial, logo já estava fazendo parte da banda. Nela tocou por 35 anos, até 1989. Destacou-se tocando bombardino. As várias aventuras que a Banda Treml teve durante o período em que Herbert foi seu integrante, foram registradas por ele em bem cuidados cadernos, onde conta todos os shows e eventos em que a banda se fez presente.
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Tocou também na Bandinha Continental, formada em 1961 e que durou 1968. Quando essa banda terminou, Herbert resolveu entrar em outra, que foi chamada de Banda Oxford, e que não é a mesma que já tinha esse nome. No ano de 1970 houve uma tentativa de criar uma nova Bandinha Continental. Por dois meses, ela levou esse mesmo nome. Mas depois resolveram mudar e ela passou a se chamar Bandinha São Bento. Nela tocou até meados de 1971.
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Além de gostar de tocar, Herbert gostava de contar. Assim foi que fez parte do Coral Santa Cecília, da Igreja Matriz Puríssimo Coração de Maria, também de São Bento. Nele, participou por mais de 30 anos, mesmo quando ainda era solteiro. Em 1970, começou com colegas o Coral Montanara, de que deve ter feito parte no mínimo até 1973.
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Nesse ano, que foi quando comemorou-se o centário da fundação de São Bento, fez parte de um coral feito especialmente para as festividades de aniversário. Esse coral levou, justamente, o nome de “Coral Centenário”. Também fez parte do Coral da Igreja Evangélica de Oxford.
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Mas o maior destaque na área do canto de Herbert foi quando ingressou na Sociedade de Cantores 25 de Julho, a “Saengerhalle”, onde ingressou no começo de 1977. Em 1983 foi até Gramada fazer um curso de regência. Em 09.04.1983 foi pela primeira vez o regente do coral 25 de Julho, em um evento na Sociedade Ginástica e Desportiva São Bento. Foi regente da Saengerhalle até 2000. E ainda teve a feliz idéia de escrever a história da Sociedade, com base nas atas que ainda existiam, desde o final do século XIX. Os registros e apontamentos que fez são de um valor cultural imenso.
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Sua atuação como regente também é destacada no livro de Alexandre Pfeiffer, “São Bento Na Memória das Gerações”, quando o autor trata também da Sociedade de Cantores 25 de Julho.
Nos anos 80, esteve no Grupo de Cítadas Edelweiss. Em outubro de 1994 foi o fundador da Bandinha do Opa, participando dela até o começo de 2006. Entre 1996 e 2006 participou da Banda Padre José Maurício, de Mafra.
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No ano de 2004 começou o Coral Deutsch Bayrischer, no qual também foi regente. Fez parte dele até quando pôde. Quando ficou enfermo, foi obrigado a se afastar.
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Já aposentado do ofício de marceneiro, trabalhava numa oficina própria, nos fundos de sua casa. Seus produtos eram bengalas, muletas, porta-cortinas, cortador de legumes, esfregadeiras, casinhas para receber correspondências, etc. Também consertava móveis ou objetos trazidos até ele. Sempre foi bastante procurado.
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Em 1992, foi o responsável pela restaurção da carroça fúnebre que pertenceu ao seu pai. Frederico havia idealizado essa carroça ainda anos 30, visando levar os entes queridos até a última morada. O próprio Frederico foi o condutor em muitos dos enterros. Consta que Herbert também o acompanhava. Com o tempo, a carroça foi deixando de ser utilizada. Mas nesse ano, Herbert a revitalizou. E no desfile de aniversário da cidade, em 23.09.1992, ele fez parte do desfile, conduzindo os cavalos e a carroça fúnebre. Hoje essa carroça está na entrada do Cemitério Municipal de São Bento do Sul, visível a todos que lá forem fazer visitas.
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Nos últimos tempos de vida, ajudava seu amigo Edimar Salomon com informações e fotos para a sua coluna histórica no jornal A Gazeta.
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Herbert herdou de seu pai o gosto pela história. Gostava bastante de conversar sobre a cultura e o passado de São Bento do Sul. Ajudava a todo que lhe pediam informações sobre a história da cidade, sempre com muito boa vontade. Se não conseguisse ajudar alguém, iria atrás de quem pudesse. Devo muito do meu gosto por história à herança de meu avô.
Faleceu no dia 30.07.2007, por volta das 23h10, no Hospital e Maternidade Sagrada Família, onde estava internado desde o dia 12. Foi sepultado no Cemitério Municipal de São Bento, acompanhado pela Banda Treml, onde tocou por tanto tempo, e que nesse dia tocou marchas fúnebres emocionantes. Eis a transcrição da notícia conforme o jornal A Gazeta do dia 01.08.2007:

Morre Herbert Fendrich

“São Bento do Sul – Centenas de pessoas entre familiares e amigos despediram-se ontem do músicod e maestro Herbert Fendrich, 77 anos. Casado com Dóris Giese Fendrich e pai de 5 filhos, Herbert era apaixonado pela música; tanto é que por mais de 30 anos tocou na Banda Treml, onde foi secretário durante 23 anos. Antes de ingressar na Banda Treml, Fendrich foi integrante da Bandinha Vitória (sic: Continental); em 1994 ajudou a fundar a Bandinha do Opa; participou da Bandinha de Gregório Rank (SIC?) e Padre José Maurício, de Mafra, além dos corais da Sociedade de Cantores 25 de Julho (Säengerhalle), Santa Cecília e Deutsch Bayerisch Saengenbund. Bastante dedicado, Herbert se afastou das apresentações musicais desde que foi acometido de problemas intestinais. Passou por duas cirurgias, dias 12 e 21 de julho no Hospital e Maternidade Sagrada Família, onde não resistiu e faleceu às 23 horas de segunda feira. Na vida profissional, atuou por vários anos nas empresas de móveis Weihermann e James, como modelista. Após se aposentar, montou uma marcenaria ao lado de sua casa na rua Guilherme Scheide, próximo à Escola Roberto Grant, no centro. No sepultamento que ocorreu às 16h30 no Cemitério Municipal, vários músicos da região se reuniram para prestar a última homenagem ao colega Herbert Fendrich”.

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Published in: on 20/10/2007 at 2:21 PM  Deixe um comentário  

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