34. Anton Zipperer (1813-1891)

Anton Zipperer e Elisabeth Mischeck
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Meu tetravô Anton Zipperer nasceu no ano de 1813 em Flecken #47, na Boêmia. Segundo o livro de Josef Blau “Bayern in Brasilien”, escrito com subsídios passados ao autor por Jorge e Martim Zipperer, netos de Anton, seu pai se chamava Adam Zipperer e teria falecido em 1820. Como a mãe de Anton nunca mais casou, ele acabou recebendo a alcunha de “Witentone”, para designar o filho da viúva.
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Anton Zipperer cresceu sem saber escrever seu nome, pois escola era um luxo que não podiam dispor. Aos 18 anos, Anton foi para a aldeia Neuern, hoje chamada Nyrsko, também no Böhmerwald. Lá, aprendeu o ofício de marceneiro.
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Mas tão logo terminou seu aprendizado, Anton teve de servir ao exército. Foi convocado para a base militar na aldeia de Kauth. A princípio, teria conseguido escapar, alegando que sua mãe era viúva e ele, como filho mais velho, precisaria cuidar dela. Mas não demorou até que aparecessem “batedores militares” procurando pelo “Witentone”. Quando já estavam próximos, Anton Zipperer se deslocou por conta própria até Kauth, acreditando que, por se apresentar voluntariamente, poderia conseguir mais direitos.
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Uma vez soldado, Anton ficou muito tempo sem poder voltar pra casa. Sua mãe havia seguido atrás dele, e na aldeia de Mies conseguiram conversar. Mas já separados por uma grade de ferro. Ainda pelo livro de Blau, sabemos mais um pouco sobre a vida de soldado de Anton Zipperer (parágrafo que não foi traduzido no livro de Kormann.).
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Por lá, ficamos sabendo que Anton teve que aprender a nadar e conduzir botes quando esteve em Klosterneuburge. Esteve ainda em Viena e principalmente em Verona, na Itália. Os soldados, em seus trabalhos nessas cidades durante essa época, tinham que ser também carpinteiros e pedreiros. Anton Zipperer ficou dez anos como soldado na Itália, e conseguiu algum dinheiro. Durante esse tempo, não pôde escrever uma linha para a sua mãe. Mas no domingo de Páscoa de 1843 ele deixou Verona, e no dia de Pentecostes chegou até a sua aldeia natal, para a alegria de sua mãe. (o capítulo tem mais alguns detalhes que não foram possíveis traduzir sem saber alemão)
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Foi então que conheceu aquela que seria sua esposa, Elisabeth Mischeck, natural de Gunderwitz, filha de Thomas Mischeck e Barbara Greil. Casaram-se em 02.08.1847. O casal passou a morar em Flecken, e Anton Zipperer se empregou na fazenda de um camponês. A casa em que moravam era de propriedade de seu patrão. Tinham a permissão para criar algumas galinhas e uma vaca, além de um pequeno pedaço de terra para plantar verduras. O contrato com o patrão era renovado todo dia de São Jorge, 23 de Abril. Em troca a esses benefícios, Anton Zipperer, e mesmo Elisabeth Mischeck, tinham que estar sempre à disposição do senhora da terra, auxiliando-o a realizar os trabalhos que precisasse.
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O pagamento era de seis “Kreuzer”, a moeda da época, por cada dia de serviço. Naturalmente, não havia qualquer possibilidade de mobilidade social. A servidão em que viviam aumentava a vontade de imigrar. Alguns parentes dos Zipperer já haviam feito isso há alguns anos. O desejo da família era se mudar para a Austrália, embora mal pudessem localizar esse país no mapa.
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Em 1873 a oportunidade apareceu. Os Zipperer receberam alguns folhetos bastante convidativos, incentivando a imigração para o Brasil. Era, afinal, um país católico como a Áustria, e também com um imperador. Junto com os Zipperer foram mais 4 famílias que largaram sua condição de semi-escravos na Boêmia para tentar a sorte no Brasil. A família Zipperer então se livrou dos patrões, com os quais estavam amarrados por causa do contrato de serviço, e tiveram que deixar a propriedade em que moravam. Foram então pedir asilo, até o dia do embarque, na casa de Wolfgang Meier, em Vordeflecken, com o qual eram aparentados (só Deus sabe como).
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Até que finalmente emigraram, a bordo do célebre Navio Zanzibar, que saiu do porto de Hamburgo em 20.06.1873 e chegou em São Francisco do Sul no dia 06.09.1873. Anton já era de idade avançada, se comparado com os outros imigrantes (60 anos). No entanto, sabia que essa viagem poderia significar um futuro melhor para os seis filhos que estava trazendo ao Brasil. A princípio, a família Zipperer veio para Joinville, uma vez que ainda não existia a colônia de São Bento. Só que como Joinville já estava abarrotada de imigrantes, já havia a intenção de se criar uma nova colônia no alto da serra. Tentou-se, primeiro, os campos de São Miguel, em Campo Alegre. Como não eram muito produtivos, decidiu-se pelo lugar onde hoje é São Bento.
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Anton Zipperer esteve entre os 70 primeiros povoadores de São Bento. Foram homens que estavam nos ranchos de imigração em Joinville e que foram escolhidos para subir a serra e fazer um trabalho em conjunto de derrubada das matas, para depois poder começar as suas plantações e lá mesmo fixar residência. Não se sabe ao certo qual o critério para a escolha desses 70 homens, se por disposição ou alguma espécie de sorteio. Os trabalhos na Serra Dona Francisca também era a única fonte possível de renda para os Zipperer. Como venderam tudo que tinham para custear suas passagens ao Brasil, já estavam começando a passar necessidades em solo tupiniquim.
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Em 20 de setembro de 1873, esses 70 homens começaram a subida da serra. Subiram por dois dias até encontrar a equipe do engenheiro August Heeren. Pernoitaram no rancho do acampamento e então receberam os 64 lotes que já estavam demarcados. Essa distribuição foi feita por sorteior. Mas os Zipperer e as famílias que imigraram com eles (Duffeck, Stuiber, Rohrbacher), pediram para terem lotes vizinhos, no que foram atendidos.
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“Iniciamos, todos em conjunto, a derrubada da mata, ou melhor, fizemos pequenas roças em cada lote, para que cada um pudesse começar a construir sua choupana e fazer, ainda em tempo, alguma plantação.” (ZIPPERER, 1954 p. 15)
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Já em novembro, Anton Zipperer e família puderam queimar suas roças e fazer as primeiras plantações de milho e feijão. A construção das primeiras choupanas também foi aumentada. Nesse tempo todo, moravam os Zipperer no Rancho dos Imigrantes, que ficava onde hoje se encontra a Praça Getúlio Vargas.
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Anton Zipperer faleceu em São Bento do Sul no dia 20.12.1891. Eis o seu registro de óbito conforme os livros da Igreja Católica da cidade:

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“A vinte de dezembro de mil oitocentos e noventa e um falleceu Antônio Zipperer, com 79 annos de idade, de fraqueza senil, viúvo há nove annos de … (não consta), residente na Villa de S. Bento, no dia 22 seu corpo foi sepultado no Cemitério Cathólico de S. Bento, do que para constar fiz este assento. Padre Ricardo Dreicovitz”
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OBS: Anton Zipperer estava viúvo há 3 anos de Elisabeth Mischeck, e não 9 como consta no assento.
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Há alguns mistérios relacionados à família Zipperer. Tema esse que merece um post próprio que será tratado oportunamente.
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Published in: on 06/01/2008 at 11:27 AM  Deixe um comentário  

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