Escravos em São Bento

Embora haja literatura afirmando que em São Bento não havia escravos, é mais que provado que eles existiam. Naturalmente, não ocupavam a região central da cidade, que era toda habitada por famílias imigrantes que não tinham esse “costume” – até porque, eles próprios eram praticamente escravos lá na Europa. Como nunca houve muita preocupação em estudar o elemento nacional que povoou a região de São Bento – desde antes de 1873 – , perde-se em profundidade histórica e, conseqüentemente, corre-se um grande risco de desvirtuamento da história original. Os nacionais estiveram em São Bento desde antes do começo, e não eram tão poucos que merecessem tanto descaso em boa parte da historiografia da cidade. Essa, dedica a eles apenas as páginas que tratam dos conflitos de terra entre Santa Catarina e Paraná. Esses paranaenses habitavam regiões um pouco mais afastadas, como os bairros de Mato Preto, Avenquinha, e Bateias (esses últimos hoje pertencentes à Campo Alegre, mas nem por isso podem deixar de ser considerados moradores de São Bento, pois a história dos dois municípios está intimamente relacionada – e Campo Alegre só desmembrou-se de São Bento em 1897.
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As seguintes famílias que moravam em bairros de São Bento possuiam escravos, comprovadamente: Thomas Umbelino Teixeira; Francisco Teixeira de Freitas; Francisco de Paula Pereira; Manoel Inácio de Souza; Joaquim Antônio Alves; Joaquim Vaz de Siqueira; Francisco Carvalho de Assis; José Affonso Ayres Cubas; Antônio Carneiro de Paula; e Antônio Ferreira de Lima, o “caçador de bugres” que acabou morto por um deles. Provavelmente havia mais. Todas essas famílias eram paranaenses de famílias com origens tradicionais que permitiam que ainda naquele tempo pudessem se servir de mão de obra escrava.
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Também deveria possuir escravos – embora ainda não se tenha encontrado documento são-bentense comprovando – o Tenente Coronel Joaquim Pinto de Oliveira Ribas. Era natural da Lapa, e citado nos primórdios da colonização em São Bento como um dos “intrusos” que estariam ocupando pedaços de terra pertencentes à Companhia Colonizadora. Esse Joaquim aparece em 1850 no maço da população da Lapa, contando com 25 anos, já casado e com uma filha (que mais tarde se uniria ao Dr. Manoel Pedro, pessoa de muito destaque na vida pública da Lapa, inclusive sendo prefeito, e que pelos seus feitos mereceu o nome de uma de suas principais avenidas). Pois nesse maço aparecem como propriedade do casal alguns escravos, nomeados um por um. Não é de se espantar que eles, ou os descendentes deles, também tivessem acompanhado a família de Joaquim Pinto de Oliveira Ribas quando esse se mudou para a região de São Bento do Sul.
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Published in: on 09/01/2008 at 11:46 AM  Deixe um comentário  

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